Edvar Gimenes de Oliveira, pastor, colaborador de OJB

Liderar é um processo de interação entre perfis de quem lidera e de quem é liderado. Não é algo que depende somente da suposta capacidade de alguém tido como líder, mas também das qualidades de quem é liderado. Os resultados da ação de um grupo dependem, portanto, da afinidade entre duas partes – líderes e liderados – em quesitos como caráter, valores, motivação, conhecimento e finalidades.

Um líder, então, pode ser extremamente bem sucedido em um contexto e não em outro. Pode ver resultados do seu trabalho florescendo rapidamente em um lugar e, lentamente ou até não vê-los, em outro. Os fatores de cada circunstância determinam o sucesso do empreendimento.

Isso significa que quem ocupa cargos ou funções de liderança precisa conhecer não somente a missão, visão estratégica, valores, cultura, enfim, da organização, mas também o caráter e a motivação dos liderados.

Claro que, em uma situação concreta, os elementos que compõem o palco no qual a história vai desenrolar-se nem sempre são claros. Geralmente, pelo contrário, são um emaranhado que exige muito tempo de observação e reflexão da parte de quem tem a responsabilidade de liderar.

No caso de uma Igreja Batista, quando um processo de caminhada entre líderes e liderados tem início, isso não acontece a partir do nada. O próprio nome Igreja Batista serve de indicador prévio. Ele aponta dois pressupostos: 1) – somos Igrejas; 2) – somos Batistas. É a partir desses dois elementos que tudo se desenvolverá.

Tanto a palavra Igreja quanto a Batista tem uma história. Daí, uma condição essencial para o sucesso na caminhada entre líderes e liderados na Igreja é conhecer história. Não somente a história, a etimologia dessas palavras, mas o significado dado a elas a partir do contexto primitivo do seu uso. Uma vez que organizações e palavras não são elementos estáticos, congelados, é importante que se saiba o que se tornaram e o porque do significado que ganharam, no máximo de contextos possíveis.

Se houver conhecimento de ambas as partes do que vem a ser Igreja e Batista, encontraremos elementos comuns à busca de afinidade, para, a partir daí, afinar caráter, valores e motivação, bem como eleger prioridades, objetivos e metas específicas. Sem conhecimento da natureza do empreendimento, clareza das finalidades e disposição para subordinar-se a eles, o sucesso da trajetória torna-se mais incerto.

Portanto, diria que um primeiro passo para quem se propõe a liderar uma Igreja Batista é certificar-se de que líderes e liderados sabem e aceitam o que é ser Igreja Batista e suas finalidades. Se houver entendimento em torno disso, as probabilidades de acerto nos demais elementos aumentam significativamente.

Se não só a Igreja é a cara de seus líderes, mas também os líderes são a cara da Igreja é fundamental que conheçamos bem nossa história, missão, visão e valores, a fim de que a liderança represente o que de melhor desejamos para o nosso futuro.