Genevaldo Bertume, pastor, colaborador de OJB

“Josué foi então lutar contra os amalequitas, conforme Moisés tinha ordenado. Moisés, Arão e Hur, porém, subiram ao alto da colina. Enquanto Moisés mantinha as mãos erguidas, os israelitas venciam; quando, porém, as abaixava, os amalequitas venciam. Quando as mãos de Moisés já estavam cansadas, eles pegaram uma pedra e a colocaram debaixo dele, para que nela se assentasse. Arão e Hur mantinham erguidas as mãos de Moisés, um de cada lado, de modo que as mãos permaneceram firmes até o pôr-do-sol. E Josué derrotou o exército amalequita ao fio da espada.” (Ex 17.10-13)

Esse relato assume um significado todo especial em função do momento que estamos vivendo, dado as estatísticas sobre a saúde física e emocional dos pastores, bem como o número de suicídios que, ultimamente, tem acontecido entre nós. Havia poucos meses que Moisés iniciara o seu ministério desde o seu retorno ao Egito, se apresentando diante de faraó. No entanto, a partir de então, ele passa a viver um período extremamente estafante, estressante: Sua luta contra faraó, contra os líderes do seu próprio povo; os preparativos para a primeira páscoa; a carga emocional de ver tantos primogênitos mortos no Egito; a travessia do Mar Vermelho com idosos, crianças, animais e enfermos; as inúmeras queixas do povo desde que saiu do Egito; e, agora, já de imediato, uma guerra. Você já imaginou como estava o físico e o emocional deste homem de deus? No entanto:

1) – Ele nomeou Josué para lutar contra os amalequitas (v 10). Feliz é o pastor que tem homens idôneos e fiéis a quem pode delegar suas lutas. Lembro-me de uma ocasião em Pouso Alegre que meu ministério foi salvo pela atuação de alguns homens que interviram numa situação muito crítica. Eles disseram: Pastor, este problema não é para o senhor! Deixa-o conosco! Eles elaboraram um projeto, um planejamento para sairmos daquela situação sem que eu precisasse me desgastar tanto. E saímos! Sem eles, eu teria afundado!

Amado pastor, Paulo só pode realizar o ministério que realizou porque teve homens a quem pode delegar suas lutas. Ele diz: “Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia”; “Enviei Tíquico a Éfeso”; “Erasto permaneceu em Corinto, mas deixei Trófimo (embora doente) em Mileto”; “Quando eu lhe enviar Ártemas ou Tíquico” (II Tm 10b; 12; 20; Tt 3.12a). Esses são apenas alguns dos muitos exemplos de homens e mulheres associados ao ministério de Paulo. Por isso, ele pode fazer tanto.

2) – Ele tinha Arão e Hur para segurarem suas mãos, pois não podia, sozinho, mantê-las erguidas – e elas precisavam estar erguidas para que vencessem aquela batalha -. Há momentos em nosso ministério em que necessitamos de alguém para segurar nossas mãos. Sempre tive um ministério caracterizado por evangelismo e missões extremamente fortes. No entanto, lembro-me de que por dois anos (1987 e 1988) batizamos apenas onze pessoas – como o ritmo de crescimento da igreja e suas frentes missionárias era bem mais acelerado, isso trouxe-me um certo abatimento e eu estava decidido a deixar a Igreja. Até que um homem da Igreja, muito meu amigo, compartilhou comigo que não devia fazer isso. Não o fiz e, já em 1989 batizamos 28 pessoas.

Amado pastor, todos nós necessitamos de alguém para segurar nossas mãos em momentos difíceis. Ainda usando o exemplo de Paulo, ele diz: “Procure vir logo ao meu encontro”, se referindo a Timóteo; “Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério”; “Faça o possível para vir ao meu encontro em Nicópolis, pois decidi passar o inverno ali”, se referindo a Tito. (II Tm 4.9; 11; Tt 3.12c). Mais uma vez, são apenas alguns dos muitos exemplos de pessoas que seguraram as mãos deste apóstolo em momentos difíceis. Pastor, quem está segurando suas mãos?